A DIETA KETO (CETOGÊNICA) FUNCIONA PARA VOCÊ?
Existem vários tipos de Dieta Cetogênica (ou dieta Keto, do inglês Ketogenic Diet).
Elas podem variar na sua composição e tipos de proteínas e de gorduras. Pode ser mais ou menos rica em vegetais, ou até carnívora e até mesmo vegana.
O que todas dietas cetogênicas têm em comum é que todas têm um teor muito baixo de carboidrato. Tecnicamente entre 20 e 50 gramas de carboidratos por dia, dependendo do sexo, idade e nível de atividade física.
Dessa forma, depois de uma fase de adaptação que dura em média 1 semana, o organismo passa a utilizar a gordura como principal fonte de combustível. Não necessariamente a gordura da dieta, mas sim as reservas de gordura do corpo, gerando emagrecimento mais rápido e com mais qualidade (perda de gordura muito maior do que perda de músculo).
O produto do metabolismo da gordura gera no sangue os chamados “corpos cetônicos”, que têm ação psicoestimulante natural, reduzindo a fome de forma mais intensa até do que as antigas anfetaminas já proibidas no mercado e sem os seus efeitos colaterais.
As vantagens dessa dieta são várias:
- Muito menos fome
- Perda de peso mais rápida, com maior preservação de massa msucular
- Maior nível de disposição e energia
- Maior clareza mental
- Melhor controle do Diabetes
- Melhora de Enxaqueca
- Melhora da Síndrome de Ovários Policísticos e Infertilidade
- Redução de marcadores inflamatórios
- Redução da Gordura visceral (gordura no fígado)
- Melhora do controle de doenças autoimunes, com Lupus e Artrite Reumatóide
- Redução de crises epilépticas em portadores de Epilepsia
- Potencial de redução do risco de alguns tipos de Câncer
- Potencial de redução do risco de Demências e Alzheimer
Mas será que a dieta cetogênica funciona para você?
Na minha experiência na Clínica Recomenda, observo que existem basicamente 3 perfis de pacientes:
Cerca de ⅓ dos pacientes, responde muito bem, já na primeira tentativa de dieta cetogênica, com forte redução da fome, e maior disposição física e mental. Chegam a me perguntar: “Dra, posso passar a vida toda em cetose”?
Outra parcela apresenta uma fase de adaptação mais difícil com sintomas de fraqueza, tontura, dor de cabeça, irritabilidade e muitas vezes, precisam primeiro passar por uma Low Carb mais moderada, para depois terem sucesso com a cetogênica, mais no final do tratamento, já para driblar a fase de platô, que é aquela fase em que o peso insiste em se manter, e geralmente precisamos usar outras estratégias para retomar o emagrecimento.
Já, a última parcela não consegue superar as dificuldades na primeira semana (fase de adaptação mais difícil) e muitas vezes nem chegam a entrar em cetose. Muitos deles poderiam se beneficiar da dieta cetogênica em outro momento do tratamento, mas preferem não tentar mais. Outros retornam em outros momentos, com a vida profissional e emocional mais estabilizada e conseguem fazer a dieta com bons resultados.
Cada pessoa tem seu ritmo. E obviamente, a dieta cetogênica não é a única opção. Mas, com certeza, é uma ferramenta potente para promover emagrecimento saudável e sustentável a longo prazo.
Existem protocolos de dieta cetogênica com atletas, com astronautas da Nasa, com Seals da marinha americana e com militares do Pentágono, ou seja, com pessoas que precisam ter performance física e mental extraordinárias. Não é uma dieta para “ficar mais fraco”, como muitos pacientes temem. Mas, obviamente, as mudanças positivas não acontecem da noite para o dia. É preciso ter acompanhamento médico e nutricional, para superar a fase de adaptação.
Ao contrário dos medicamentos para Obesidade, que muitas vezes, mostram uma resposta cada vez pior quando utilizados de forma repetida ao longo da vida; a dieta cetogênica, gera uma resposta melhor para pessoas que já estão adaptadas. É como se o metabolismo dessas pessoas tenha se tornado “flex”, aprendendo a alternar a principal fonte de combustível, entre glicose e gordura, e entrando em cetose de forma mais fácil, nas próximas vezes.
O importante é entender que a dieta cetogênica VLCD (de baixa caloria) deve ser feita com acompanhamento médico e nutricional.
Além de contraindicações clínicas absolutas e relativas, como gestação, amamentação, fases de crescimento, idade muito avançada, insuficiência renal, insuficiência hepática, etc; existem etapas ao longo da dieta cetogênica que precisam ser monitoradas de perto por profissional de saúde.
Por isso, vale a pena procurar médicos e nutricionistas que entendam a Ciência Low Carb e Keto, que cresce cada vez mais no mundo, com mais evidências de benefícios em várias doenças.
Vamos conversar mais sobre esse assunto por aqui.
Até mais,
Regina Diniz- CRM 97465
Título de Especialista em Endocrinologia e Metabologia- RQE nº 37498
Endocrinologista pela USP e adepta da dieta cetogênica